O que querem
Um livro é aberto, dois olhos são desviados e toda a luminosidade é em vão. A atenção é absorvida por qualquer outro objeto disposto por ali. Os olhos não querem saber dos livros, e se fosse dado aos livros o poder de decidir quem lhes dá atenção, iriam clamar pelas crianças, muitas crianças, com seus pequenos potes de tintas coloridas e pincéis errôneos. Iriam querer traços e borrões, arte contemporânea sobre seus tipos impressos, e não suspeitaria ninguém de que o motivo, se também lhes fosse perguntado, seria desses que nos deixam céticos, impacientes, deselegantemente mal-educados elevando o tom de voz e demonstrando por meios imbecis a superioridade que julgamos ali e sempre ter, seria um motivo simpático. Querem criatividade desenfreada, querem autenticidade, porque no fundo, e bem lá no fundo, estão bastante ressentidos com o fato de serem uma mera cópia.
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