It’s a wonderful time for a lie
Há uma música do Pluramon que volta e meia me volta em meia à cabeça. “Time for a Lie”, do álbum “Dreams Top Rock”. A melodia é etérea, como num sonho com alguma distorção, e há a constante repetição de “It’s a beautiful time for a lie”, com algumas variações. Desde que a ouvi pela primeira vez, peguei-me pensando se aquela hora era mesmo um ótimo momento pra uma mentira, e em geral a conclusão é assustadora. Todo e qualquer momento é ótimo pra uma boa mentira bem-contada. Seja pra si mesmo, pros outros, pra ninguém. Mentir é, além de tudo, uma arte, e a despeito de tudo o que já foi escrito sobre a mentira, ela se encaixa em qualquer situação com precisão, como se tivesse todas as formas possíveis a todo momento. Resta saber então como identificar uma boa mentira. Vá ver, é impossível. Mente-se tanto até pra si mesmo que pegar uma delas no ar talvez seja mesmo uma questão de sorte.
Ouvi certa vez que é impossível enganar a si mesmo. Bem, eu discordo. Em geral, quem formula esta opinião está certo de que as pessoas são senhoras de si, quando em geral não são. Engana-se a si mesmo a todo momento, com as desculpas mais estapafúrdias, e acreditamos nelas não porque somos induzidos, mas porque somos coniventes com a mentira. Sendo nós mesmos os mentirosos, podemos mentir e aceitar a mentira, forçar que nelas acreditemos, às vezes até brigar pela sua realização no mundo. Ser juiz de si mesmo requer uma enorme dose de conhecimento acerca de si, e ouso assertar que a vasta maioria de nós está muito longe de tanta auto-compreensão.
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Uma boa mentira é uma mentira que cola para quem quer que seja. Ou até onde se pretender ir com ela. Que se preste ao serviço. Pode ir além… que não deixe sequelas, que só traga benefícios e que não queime o artista. Que não seja longa, nem complicada, e nem precise ser lembrada depois por qualquer razão ou pessoa no mundo. Vou conferir a dica musical ;)
Mente que nem sente, para todos, amém!